Ao NE1, João Campos promete construir hospitais, ampliar abastecimento e se defende sobre favorecimento em concurso

  • 14/09/2026
(Foto: Reprodução)
Márcio Bonfim e Maristela Niz entrevistam João Campos (PSB) Brenda Alcântara/TV Globo Em entrevista ao NE1 nesta segunda-feira (14), João Campos, candidato do PSB ao governo, afirmou que vai construir quatro novos hospitais em Pernambuco, além de promover 94 grandes obras para ampliar o abastecimento de água no estado. Ele também falou sobre pontos de sua gestão como prefeito do Recife, como atrasos e aditivos em obras públicas, problemas na abertura de vagas em creches e uma denúncia de favorecimento de um filho de juiz num concurso para procurador municipal, no caso conhecido como "fura-fila". ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE João Campos, que foi eleito prefeito do Recife duas vezes, deixou o cargo neste ano para disputar o governo estadual pela primeira vez. Ele tenta suceder a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição e sua principal adversária na disputa. A Globo convidou os candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro. A entrevista teve duração de meia hora. Veja, abaixo, os temas abordados: Caso 'fura'fila' Aditivos e atrasos em obras Compesa e abastecimento Problemas em creches Impostos Crime organizado Muranças climáticas Caso 'fura-fila' João Campos (PSB) responde à pergunta sobre denúncia de 'fura-fila' em concurso público O primeiro tema abordado foi o caso conhecido como “fura-fila”, sobre uma denúncia de favorecimento do filho de um juiz que arquivou uma investigação contra a gestão de João Campos quando era prefeito do Recife. O caso se deu num concurso para procurador municipal e chegou a motivar um pedido de impeachment contra o então prefeito. Na seleção, um advogado com deficiência deixou de ser nomeado em detrimento do filho de um juiz com uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO). Ele havia ficado na 63ª posição e foi nomeado após pedir reinscrição no concurso após receber um diagnóstico de autismo, dois anos depois da inscrição. Três procuradoras concursadas foram contra, mas a mudança foi feita mesmo assim. A nomeação foi revertida após a repercussão do caso. Sobre o caso, João Campos negou que houvesse favorecimento do filho do juiz, e disse o que houve foi uma disputa administrativa entre duas pessoas com deficiência. Afirmou, ainda, que centenas de recursos administrativos são apresentados na prefeitura (veja vídeo acima). "Ele apresentou um laudo feito pela Justiça Federal, pelo Tribunal Regional do Trabalho, que é um Tribunal Federal, apresentando esta condição e requereu um direito dele. Naquele momento, foi entendido que o diagnóstico havia sido depois da inscrição, mas a condição é anterior ao concurso. Isso é um procedimento administrativo, mas, como eu disse, ele foi revisto e a disputa agora se dá no ambiente da Justiça, como deve se dar", declarou. ⬆️ Voltar ao início da reportagem. Aditivos e atrasos em obras João Campos (PSB) responde à pergunta sobre como concluir obras no prazo e sem aditivos O candidato foi perguntado sobre obras ainda não concluídas na sua gestão, como a do calçadão da Praia de Boa Viagem e da reforma do Mercado de São José. A primeira começou orçada em R$ 109 milhões e, com aditivos, agora está custando R$ 146 milhões. Ele afirmou que as obras citadas estão seguindo o que determina a Constituição e que "aditivos não são proibidos". O candidato disse que regras disciplinam as obras e que, no caso de Boa Viagem, a obra é “mais complexa” e que está sendo realizado o saneamento da orla. Sobre o Mercado de São José, disse que o cronograma foi alterado por conta de descobertas arqueológicas no local. ⬆️ Voltar ao início da reportagem. Compesa e abastecimento João Campos (PSB) responde à pergunta sobre modelo de concessão da Compesa à iniciativa privada Ele foi perguntado sobre a concessão da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), feita pelo governo de Raquel Lyra. João Campos é crítico a esse processo, e foi questionado sobre a diferença entre esse modelo e o da concessão feita pelo governo de Paulo Câmara (sem partido), de quem foi chefe de gabinete. Afirmou que sua crítica é sobre a natureza do serviço concedido. O anterior era sobre saneamento e agora, sobre distribuição de água. Disse, ainda, que o maior problema de Pernambuco, hoje, é a "produção" de água, como a construção de poços, adutoras e barragens, para garantir volume de distribuição. Ao falar sobre contratos e investimentos, disse que pretende fazer 94 grandes obras de abastecimento. "Tem obras de grande porte dentro desse plano que demoram mais do que quatro anos. Mas a gente vai deixar o plano feito e as obras iniciadas", declarou. ⬆️ Voltar ao início da reportagem. Problemas em creches O candidato também foi perguntado sobre a expansão no número de vagas de creches durante seu mandato como prefeito do Recife e de problemas sobre a estrutura e funcionamento desses estabelecimentos. Ele respondeu sobre denúncias de "rodízio" de aulas nas unidades e que esses casos são "exceção". Sobre esse tema, criticou a gestão de Raquel Lyra, que prometeu a construção de 250 creches e entregou 14 até agosto, embora afirme que vai inaugurar mais de 100 até o fim de 2026. Ele defendeu seu modelo de abertura de creches, que é baseado, também, em parcerias com unidades privadas. “Isto não é a regra, isto é a exceção [sobre o 'rodízio']. É um ponto minoritário de eventuais turmas onde o profissional falta, onde pessoas passam em outros concursos e saem, e precisa ser nomeados novos profissionais”, justificou. ⬆️ Voltar ao início da reportagem. Impostos João Campos falou que, quando prefeito do Recife entre os anos de 2020 e 2025, não aumentou nenhum imposto. "Isso é o oposto do que o governo do estado fez, que aumentou o ICMS de 18% para 20,5%, e passou ser um dos mais caros do Brasil", disse. Seu plano de governo prevê uma "transição da reforma tributária". Está prevista, caso seja eleito, a criação de uma secretaria executiva específica para regulamentação da reforma, com objetivo de "segurar os empregos" no estado e criar oportunidades de formação profissional. Também deve ser implementado um plano de investimento que será "transformado em obras", como a duplicação da rodovia PE-90. ⬆️ Voltar ao início da reportagem. Crime organizado João Campos prometeu lançar um "Pacto Antifacções", com um programa de videomonitoramento em todas as divisas de Pernambuco. O candidato propôs criar um centro integrado para compartilhar dados e colocar a Secretaria de Fazenda para ampliar a investigação sobre lavagem de dinheiro e fortalecer o rastreio do dinheiro pro crime. João Campos também falou do aumento de feminicídios no estado e criticou o fechamento de delegacias da mulher no estado. Sobre o tema, afirmou que, se eleito, vai comprar 20 mil tornozeleiras eletrônicas no primeiro mês de governo. "Nós vamos duplicar a rede. Toda cidade com mais de 60 mil habitantes vai ter uma delegacia da mulher 24 horas", prometeu. ⬆️ Voltar ao início da reportagem. Mudanças climáticas O candidato prevê um Plano de Manejo Costeiro para as cidades do litoral. Porém, ele também promete um diálogo com as demais regiões de Pernambuco sobre o abastecimento de água, com criação de novos sistemas de adutoras – em especial no Agreste, onde João Campos afirma havera pior situação de abastecimento de água do estado. João Campos também indicou que algumas obras de infraestrutura seriam cruciais para o controle climático, como é o caso da Ferrovia Transnordestina. "Como governador, pedirei ao presidente Lula que passe a transnordestina para Pernambuco, porque nós vamos fazer a obra sair do papel para que em quatro anos ela seja inaugurada", disse. João Campos utilizou os 30 segundos finais da sabatina para divulgar algumas propostas de campanha, como a duplicação de rodovias, zerar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para motos, criação de Centros TEA, além da construção de creches, escolas e novos hospitais – sendo um deles no Grande Recife, onde atuarão mais de 5 mil profissionais. ⬆️ Voltar ao início da reportagem. Trajetória de João Campos João Campos (PSB) Brenda Alcântara/TV Globo Engenheiro civil de formação, ele é filho do ex-governador Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em 2014, e começou a carreira política como chefe de gabinete de Paulo Câmara, governador que sucedeu seu pai. Depois, em 2018, se candidatou a deputado federal e bateu recorde de votação no estado, com 460.387 votos. Deixou o cargo dois anos depois, em 2020, ao ser eleito o mais jovem prefeito do Recife, aos 27 anos. Na época, enfrentou sua prima, Marília Arraes (à época no PT), numa campanha acirrada, marcada por trocas de acusações e vencida no segundo turno. Atualmente, ela concorre ao Senado pelo PDT, na chapa de João Campos. Ele foi reeleito em primeiro turno em 2024, com 78,11% dos votos, e renunciou ao cargo em abril deste ano. Seu amigo de faculdade e chefe de gabinete, Victor Marques (PCdoB), havia sido eleito vice-prefeito e ficou à frente da prefeitura após a renúncia. Série de entrevistas A Globo convidou os postulantes que atingiram no mínimo 5% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro. Agenda das entrevistas: Segunda (14): João Campos (PSB); Terça (15): Raquel Lyra (PSD). VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/eleicoes/2026/noticia/2026/09/14/ne1-entrevista-joao-campos.ghtml


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