Dom Silver: influenciador que matou ex e tirou própria vida foi preso dois meses antes por agredir vítima, mas solto no mesmo dia
23/03/2026
(Foto: Reprodução) Empresário mata ex-companheira e tira a própria vida em apartamento na Zona Sul do Recife
O empresário de 48 anos que matou a ex-companheira de 22 anos e tirou a própria vida já tinha sido preso por violência contra a mulher neste ano, em 25 de janeiro. Ele foi autuado em flagrante por ameaça e violência doméstica contra a mesma vítima, mas pagou fiança de R$ 16.210 e foi liberado poucas horas depois.
O criminoso era Silvio Souza Silva, conhecido como Dom Silver nas redes sociais, onde acumula mais de 600 mil seguidores. A vítima foi a estudante de medicina Isabel Cristina Oliveira dos Santos, de 22 anos. O ex-casal tinha uma filha de 3 anos e passou seis anos juntos, tendo iniciado a relação quando a jovem tinha apenas 16 anos, e ele, 42.
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O feminicídio aconteceu no domingo (22), no condomínio Le Parc, no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife.
O ex-casal morou junto por dois anos, mas, após o rompimento, passou a morar em locais separados. A vítima informou, em diferentes depoimentos, que o casamento era conturbando, com violência verbal e física e que ele não aceitava a separação.
No apartamento em que matou a ex, em janeiro, Dom Silver agrediu e ameaçou a vítima, o que culminou na prisão em flagrante. Em fevereiro, a mulher voltou a prestar queixa contra o ex, contra quem pediu uma medida protetiva de urgência.
Ela deveria retornar à Delegacia da Mulher na terça-feira (24), mas morreu dois dias antes. O g1 teve acesso aos boletins de ocorrência dos dois casos de violência doméstica. O primeiro, de janeiro, diz o seguinte:
Ele apareceu na porta do apartamento de Isabel dizendo que tinha tomado comprimidos e iria morrer na frente da residência dela caso ela não o recebesse;
Após a mulher abrir a porta, o empresário pediu que eles retomassem o relacionamento e uma discussão iniciou entre o ex-casal;
A vítima relatou que foi agredida com empurrões e puxões de cabelo, além de receber ameaças;
Uma amiga de Isabel impediu que as agressões continuassem, e a polícia foi acionada;
Silvio foi preso e encaminhado para a Delegacia da Mulher, onde foi autuado em flagrante e liberado após pagar fiança;
Nesse dia, Isabel não quis dar entrada no pedido de medida protetiva de urgência nem solicitou abrigo
O boletim de ocorrência mais recente, de fevereiro, afirma o seguinte:
No dia seguinte à agressão de janeiro, a vítima viajou para São Paulo, e Silvio embarcou no mesmo avião;
"Segundo a declarante, não fazia sentido que ele prosseguisse com a viagem, permanecendo ela por dez dias naquele estado";
Ele vinha, por diversos meios e de variadas formas, tentando convencer a vítima a retomar o relacionamento;
Silvio chegou a procurar o pai e mãe de uma amiga de faculdade da vítima, pedindo para que intercedessem;
Ele também fazia transferências PIX de pequenos valores para a ex, inserindo mensagens no campo "descrição", já que estava bloqueado pela vítima em todas as redes sociais;
Em outubro de 2025, ele lhe fez ameaças de morte pelo WhatsApp e agressões verbais;
Em novembro, ele arrombou a porta dos fundos do apartamento da vítima.
Isabel cursava o 4º período de medicina na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Silvio era diretor-geral da empresa Aluvid Esquadrias de Alumínio, também na capital pernambucana, e cantor de brega romântico, conhecido pelo nome artístico Dom Silver.
Ainda segundo o B.O., o ex dizia que iria abrir um processo criminal e atrapalhar a carreira dela, para que ela não conseguisse registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).
Isabel Cristina, 22 anos, foi morta pelo ex-companheiro Silvio Souza, 48 anos, que se matou em seguida no condomínio residencial Le Parc, no Recife
Reprodução/Instagram
Feminicídio no Le Parc
De acordo com o Boletim de Ocorrência do assassinato da vítima, ao qual o g1 também teve acesso, o caso foi registrado como feminicídio seguido de suicídio. Ainda segundo o registro policial do crime:
Parentes da vítima também contaram que eram frequentes os desentendimentos entre os dois;
No dia do feminicídio, testemunhas disseram que houve uma discussão entre o ex-casal;
Após a discussão, Silvio deixou o condomínio e retornou depois, quando ficou sozinho com a vítima no apartamento;
As primeiras pessoas que entraram no apartamento após o crime foram a irmã de Isabel, a namorada dela e a filha do ex-casal, de 3 anos;
Isabel e Silvio apresentavam ferimentos na cabeça provocados pelos tiros;
Os tiros foram disparados por volta das 22h e Isabel morreu no apartamento após ser baleada por um revólver calibre 38;
A arma e munições foram apreendidas no local.
O que diz o condomínio
Segundo o Le Parc, Silvio e Isabel tinham contrato de locação do imóvel vigente, e ambos estavam com cadastros atualizados e regulares para acessar o residencial. Em nota, a administração do residencial prestou solidariedade à família da vítima e disse que:
Não teve “qualquer conhecimento acerca da existência de medida protetiva, ação judicial ou procedimento que restringisse o acesso dos envolvidos”;
O controle de acesso é realizado “por meio de procedimento rigoroso, com cadastro prévio de moradores e pessoas autorizadas”;
Não foi recebida “qualquer solicitação de bloqueio de acesso, seja por parte dos envolvidos, de terceiros interessados ou de autoridade”;
Periodicamente é realizada a atualização cadastral de moradores e pessoas autorizadas, “sendo expressamente vedado o acesso de pessoas não cadastradas”.
Atendimento para mulheres vítimas de violência
No Recife, mulheres vítimas de violência podem receber acolhimento, atendimento multidisciplinar e orientações de profissionais especializados nos seguintes locais:
Centro de Referência Clarice Lispector: Rua Doutor Silva Ferreira, 122, Santo Amaro (atendimento 24 horas);
Serviço Especializado e Regionalizado (SER) Clarice Lispector: Avenida Recife, 700, Areias (atendimento de segunda a domingo, das 7h às 19h);
Salas da Mulher em cinco unidades do Compaz — Eduardo Campos (Alto Santa Terezinha), Ariano Suassuna (Cordeiro), Dom Hélder Câmara (Coque) e Paulo Freire (Ibura).
Além disso, existe um Plantão WhatsApp, com funcionamento 24 horas, no número (81) 99488-6138.
Como denunciar
Em Pernambuco, as denúncias de violência contra mulher podem ser feitas através do telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados;
A Polícia Militar pode ser contatada pelo 190, quando o crime estiver acontecendo;
Também é possível, no Grande Recife, fazer denúncias pelo Disque-Denúncia da Polícia Civil, no número (81) 3421-9595;
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também pode ser acionado de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, através de uma ligação gratuita para o número 0800.281.9455;
Outra opção é a Ouvidoria da Mulher de Pernambuco, que funciona pelo telefone 0800.281.8187;
Os endereços e telefones das Delegacias da Mulher podem ser consultados no site do TJPE.
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