Polícia Civil diz não ter registro oficial da investigação que rastreou carro da prefeitura do Recife e monitorou secretário de João Campos

  • 06/02/2026
(Foto: Reprodução)
Não há registro da investigação de conduta de secretário de João Campos, diz Polícia Civil A Polícia Civil disse não ter registros da abertura e do encerramento da investigação de secretário do Recife (veja vídeo acima). Um documento assinado pelo delegado-geral, Felipe Monteiro Costa, informou que não há relatórios, boletim de ocorrência ou ofícios de comunicação judicial das diligências que tiveram como alvos o chefe de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, assessor da prefeitura. A investigação, segundo o titular da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco, Alessandro Carvalho, aconteceu entre agosto e outubro de 2025 após uma denúncia anônima sobre recebimento de propina e incluiu a instalação de um rastreador no carro da prefeitura utilizado pelos irmãos. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) investiga o caso. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O ofício assinado pelo chefe da Polícia Civil foi enviado na quinta-feira (5) para a defesa dos dois funcionários da prefeitura. O documento responde a solicitações feitas pelo escritório Lacerda e Trindade Advogados Associados. Após a publicação da reportagem, a SDS divulgou uma nota afirmando que o ofício não reconhece qualquer ilegalidade, "tampouco aponta irregularidades nas diligências realizadas" (veja mais abaixo). O ofício recebido pelos advogados dos funcionários da prefeitura diz que: a denúncia anônima de recebimento de propina foi feita por meio de envelope, "sem protocolo anterior em sistemas eletrônicos da Polícia Civil"; não há "registro de Boletim de Ocorrência relacionado aos fatos citados"; "não houve ato de designação específico" dos policiais e delegados que atuaram nas investigações contra os funcionários da prefeitura do Recife; não existe instauração de Verificação Preliminar de Informação (VPI) ou geração de processos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) para a missão; não existem ofícios de comunicação à Justiça "dada a natureza das técnicas empregadas, as quais independem de autorização judicial"; também não foram fornecidas as cópias dos "autos de procedimento investigativo criminal ou administrativo" porque eles não existem. Segundo Polícia Civil, não houve registro formal da investigação de conduta de secretário de João Campos TV Globo/Reprodução Em postagem nas redes sociais X e Instagram, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), reagiu ao ofício enviado pela Polícia Civil. "Se havia dúvida para alguém… A própria Polícia Civil admitiu a clandestinidade de uma operação ilegal e com fortes indícios de uso político", afirmou o gestor na internet. O que diz a SDS Por meio de nota, a SDS disse que a não instauração de inquérito policial ocorreu justamente por causa do resultado da apuração preliminar. "Por exigência legal, denúncias anônimas passam, inicialmente, por uma verificação de verossimilhança, etapa técnica preliminar e há décadas consolidada nas polícias judiciárias, antes de qualquer medida investigativa formal", diz a nota, que também afirma que, no caso em questão, a checagem preliminar "não identificou elementos indiciários mínimos que justificassem a abertura de investigação criminal formal". "O ofício mencionado na reportagem não reconhece, portanto, qualquer ilegalidade, tampouco aponta irregularidades nas diligências realizadas; ao contrário: o documento registra que os procedimentos adotados observaram os parâmetros legais e operacionais aplicáveis às fases de inteligência e de verificação preliminar, compatíveis com práticas adotadas por forças de segurança de todo o país", afirma a nota. O posicionamento da SDS também afirma que a atividade de inteligência e a verificação preliminar de informações não se confundem com a investigação criminal formal e nem resultam, sozinhas, na necessidade de instauração de inquérito policial. "Tratam-se aquelas de etapas técnicas de triagem de informações, voltadas à proteção do interesse público e à prevenção de ilícitos, sem produção de juízo acusatório ou imputação de prática ilícita a qualquer pessoa. A Polícia Civil de Pernambuco reafirma a legalidade, a transparência e o compromisso institucional na condução de suas atividades, sempre pautadas pelo respeito às normas vigentes e aos direitos fundamentais. A instituição informa, ainda, que todas as informações pertinentes estão sendo prestadas ao Ministério Público, nos termos da Constituição Federal, no exercício do controle externo da atividade policial", finaliza a nota. O que diz a defesa dos investigados Ao g1, o advogado Eduardo Trindade, que defende Gustavo e Felipe Monteiro, afirmou que: o fato de o ofício dizer que não tem nada formalizado "é a prova incontestável de que a investigação foi feita por 90 dias completamente à margem do sistema oficial da polícia"; "essa formalidade [registro no sistema] é essencial para que o controle, a legalidade dos atos possam ser verificados". "se essa investigação preliminar tivesse no sistema, ninguém estaria questionando a legalidade dela"; não há registro que informe se a "tag" usada para rastrear o carro da prefeitura foi comprada com dinheiro público ou particular; o próximo passo será aguardar o resultado das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Entenda o caso SDS detalha monitoramento a carro de secretário do Recife Em coletiva de imprensa no dia 26 de janeiro, o secretário Alessandro Carvalho negou que a Polícia Civil espionou o secretário da prefeitura do Recife e afirmou que o foco da investigação preliminar era o veículo supostamente utilizado para o recebimento de propina (veja vídeo acima). Também afirmou que a verificação prévia ocorre antes da instauração de inquérito para que uma simples denúncia anônima não cause "constrangimento com a instauração de um inquérito a quem não tinha justa causa para se instaurar o procedimento". Ainda segundo a SDS, a investigação preliminar foi realizada "sem qualquer tipo de violação de privacidade ou de exposição" e, ao final, "não houve instauração de inquérito policial, uma vez que não foi constatada a prática de nenhum ato ilícito". LEIA TAMBÉM: 'Dentro da legalidade', diz Raquel Lyra sobre monitoramento de secretário do Recife 'Não vai passar impune', afirma João Campos sobre o caso Sobre a denúncia anônima, a SDS informou que foi dito que Eduardo Monteiro receberia pagamentos em dinheiro, em estacionamentos de shoppings, com valores de 4% a 5% de "faturamentos mensais" de fornecedores da prefeitura. Foi formado um grupo no WhatsApp com integrantes da Polícia Civil, em que agentes e delegados trocavam informações sobre a rotina do secretário. A existência do grupo, intitulado "Nova Missão", foi também confirmada pela Secretaria de Defesa Social (SDS). O carro usado pelo secretário do Recife, da frota da prefeitura, era seguido desde o momento em que o Gustavo Monteiro saía de casa até a noite, quando ele voltava. No grupo, os policiais compartilhavam fotos do carro, e, em determinado momento, citam a compra e colocação de uma "tag", aparelho utilizado para rastrear o veículo. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Grupo em que policiais compartilhavam informações sobre monitoramento de secretário do Recife Reprodução/WhatsApp PF investiga o caso O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que a Polícia Federal apure o monitoramento supostamente ilegal do secretário Gustavo Queiroz Monteiro pela Polícia Civil. Além disso, o ministro proferiu uma sentença em que determinou o trancamento de um outro caso de investigação de três secretárias da gestão municipal. A investigação, que era conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), foi suspensa por desvio de finalidade, falta de definição clara do objeto e violação ao princípio da neutralidade estatal. Segundo a decisão publicada no dia 30 de janeiro, à qual o g1 teve acesso, as secretárias Luciana Caroline Albuquerque D’Angelo, da Saúde; Maíra Fischer, de Administração; e Adynara Maria Queiroz Melo Gonçalves, executiva de Articulação e Fortalecimento dos Conselhos da Secretaria de Direitos Humanos e Juventude, afirmam que estavam sendo alvo das investigações do Gaeco. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/02/06/policia-civil-diz-nao-ter-registros-oficiais-da-investigacao-que-rastreou-carro-da-prefeitura-do-recife-e-monitorou-secretario-de-joao-campos.ghtml


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